Porque Aconteceu a Revolta das Passagens

Porque Aconteceu a Revolta das PassagensO Brasil, viu meio atordoado a grande manifestação dos jovens brasileiros com relação a algo que aparentemente não é tem muita importância: o aumento de alguns centavos nas passagens dos ônibus. O que começou com um protesto pequeno, de cerca de 5 mil pessoas em Porto Alegre – RS, se tornou, graças às redes sociais, um movimento de massa nacional, que atingiu várias cidades do território nacional.

Entretanto, o que se percebe é que o movimento está tomando outros rumos, para além do aumento das passagens. Os manifestantes e começaram a exigir do governo mais dinheiro para a educação e a saúde, em detrimento da Copa do Mundo, que movimentou bilhões dos cofres públicos; além do mais, cada região do país também começou a colocar em pauta suas próprias demandas locais. Ao decorrer da segunda e terceira semana de junho de 2013, o movimento só vem crescendo e pelo que tudo indica não vai parar.

Os principais protestos

Porque Aconteceu a Revolta das PassagensEm Goiânia, as manifestações começaram no dia 16 de maio, um pouco antes dos preços serem aumentados oficialmente de R$ 2,70 para R$ 3,00. As manifestações atingiram o pico no dia 28 de maio, na Praça da Bíblia. Dois manifestantes foram presos por vandalismo. No acontecido, dois ônibus foram apedrejados e outros dois foram queimados. Outra manifestação ocorreu no dia 6 de junho, os manifestantes fecharam parte das ruas principais de Goiânia e tacaram fogo em pneus e jogaram bombas em carros da polícia. A “vitória” dos manifestantes chegou no dia 13 de junho, quando o juiz Fernando de Mello Xavier emitiu uma liminar argumentando que desde 01 de junho as empresas de ônibus locais foram isentos de pagar alguns impostos, mas os passageiros não estavam se beneficiaram dessa isenção, assim o preço da passagem foi reduzido.

Porque Aconteceu a Revolta das PassagensEm São Paulo, o preço dos trens subiu de R$3,00 para R$3,20. A revolta da população aconteceu em decorrência da isenção de taxas dada pelo o governo federal ao transporte público, onde estes estariam isentos de pagar de PIS e COFINS, logo, o aumento da passagem não era algo necessário. O movimento denominado “Passe Livre” ou “Revolta do Vinagre” fez com que mais de 65 mil pessoas paralisassem as ruas da maior cidade do país, durante vários dias da semana, causando consequentemente muito transtorno ao trânsito que normalmente já não flui muito bem devido os altos números de veículos circulando.

No Rio de Janeiro, assim como em São Paulo, aconteceram vários protestos, levando mais de 100 mil pessoas para as ruas e também causou alguns problemas para os cariocas que tentavam voltar para casa.

Segue abaixo os dados dos protesto por todo o Brasil no dia 17/06/2013Porque Aconteceu a Revolta das Passagens

Alagoas - Maceió (2 mil pessoas)

Bahia - Salvador (5 mil pessoas)

Ceará - Fortaleza (1 mil pessoas)

Distrito Federal - Brasília (5,2 mil pessoas)

Espírito Santo - Vitória (5 mil pessoas)

Minas Gerais - Belo Horizonte (Mais de 20 mil pessoas) – Juiz de Fora (2 mil pessoas) – Poços de Caldas (Cerca de 500 pessoas)

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Paraná - Curitiba (Cerca de 10 mil pessoas) – Foz do Iguaçu (Cerca de 2 mil pessoas) – Londrina- Ponta Grossa

Pará - Belém (10 mil pessoas)

Pernambuco - Recife (não há número certo)

Rio de Janeiro - Campos dos Goytacazes (Cerca de 2 mil pessoas)- Rio de Janeiro (100 mil pessoas)- Três Rios (Cerca de 500 pessoas)

Rio Grande do Sul - Novo Hamburgo (4 mil pessoas), Porto Alegre (Cerca de 10 mil pessoas)

São Paulo - Araraquara (Cerca de 150 pessoas)- Bauru (Cerca de 600 pessoas)- Guarujá (Cerca de mil pessoas)- Itapetininga (Cerca de 300 pessoas)- São Paulo (65 mil pessoas)- Santos (Cerca de mil pessoas)- Pindamonhangaba (Cerca de 200 pessoas)

Outras motivações

Porque Aconteceu a Revolta das PassagensOs R$ 0,20 foram apenas o estopim de todas essas manifestações. O que foi-se percebendo ao longo dos protestos é que os manifestantes não exigiam apenas a redução dos preços dos transportes públicos, mas também que este tivesse qualidade e eficiência. Mas não apenas isso,  eles colocam em cheque a preocupação dos governantes com a copa do mundo em detrimento de outros setores que estão sendo negligenciados a muitos anos, como a saúde e a educação. Assim  mais de 2.000 pessoas aderiram a mensagem – “Nós não precisamos de Copa do Mundo” – em Brasília, na abertura da Copa das Confederações, às portas do estádio Mané Garrincha em Brasília.

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Esta frase de ordem, demonstra a decepção dos manifestantes ao comparar as despesas como a Copa das Confederações de 2013 , a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de Verão 2016 que acabaram por ser muito mais caro do que foi planejado para ser. Alguns acreditam que os gastos elevados são decorrência do superfaturamento, e o envolvendo as atos ilícitos de bilhões de dólares realizados por algumas frações do governo, como por exemplo os escândalos descobertos em 2012 envolvendo a empresa DELTA e outras , bem como a corrupção geral. Tudo isso foi levando a população a repudiar o evento mundial, pois ao invés de engrandecer o país, o depreciou.

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Outros motivos indicados pelos manifestantes era a alta taxa de impostos pagas pela população, que recebe em troca serviços de baixa qualidade. Assim como os altos custos de vida, o descaso com as populações carentes, os subempregados, a falta de qualidade na educação, os grandes níveis de desigualdade social e econômica, problemas com saneamento básico, a falta e/ou precariedade dos serviços de saúde que não funcionam ou funcionam em péssimas qualidades.  A mensagem que se ouviu no protestos de Brasília, ressoou pelo país: Um país com infraestrutura vacilante, os baixos salários, os hospitais lotados, e um sistema de ensino aleijado deve gastar dinheiro não em estádios magníficos, mas em esforços para melhorar a vida dos brasileiros.

A repressão

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O fato que chocou o país e mobilizou ainda mais os manifestantes foi a dura repressão das autoridades no inicio dos protestos. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, várias pessoas sofreram com as bombas de efeito moral, bombas de fumaça, gás lacrimogêneo, os cassetetes, os sprays de pimenta e as balas de borracha. Por onde acontecia os protestos, a mesma cena era vista. Os manifestantes entravam em confronto direto com a polícia, que muitas vezes exagerava em sua atuação.

O argumento usado para reprimir os movimentos eram a defesa do patrimônio público e a tentativa de amenizar os impactos na vida dos cidadãos que voltavam para suas casas depois de uma jornada de trabalho.

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Como consequência, a internet está recheada de fotos e vídeos mostrando a violência presente de ambos os lados da “guerrilha”. Várias pessoas foram presas por vandalismo, desobediência e desacato à autoridade. Porém até agora nenhuma palavra foi dada aos casos de abusos da autoridade policial.

Conclusão

O que se vê e se pode concluir desses protestos é que a tão famosa apatia que recaia sobre os jovens brasileiros está sendo esquecida e os grupos políticos se articulam para que possam dar um direcionamento aos protestos. Os meios de comunicação a princípio se colocou contra os manifestantes, porém depois da forte repressão passaram a apoiá-los.

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A um ano das eleições para presidência toda essa movimentação política está sendo observada e incentivada por todos os lados.

Fontes:

G1
BBC
Estadão
JB