Morte em manifestação: Como Será o Julgamento de Caio Silva de Souza?

Caio Silva de Souza, um auxiliar de serviços gerais de 23 anos, confessou ter acendido o rojão durante a manifestação de quinta-feira passada (06/02/2014), na Central do Brasil. O acontecimento que culminou na morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade. O cinegrafista gravava imagens de uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus no Centro do Rio quando foi atingido na cabeça pelo rojão. Ele teve morte cerebral na segunda (10/02), depois de passar quatro dias em coma no Hospital Souza Aguiar.

Em entrevista à TV Globo, ele alegou que não sabia que se tratava de um rojão. Caio afirmou ter imaginado que o artefato fosse um cabeção de negro:

“Acendi sim. Nem sabia que aquilo era um rojão”. Admitiu o acusado e ao ser perguntado por que havia acendido o artefato, respondeu. “Para fazer barulho”.

A confissão, porém, não foi dada oficialmente à polícia, pois Caio afirmou que só prestará depoimento em juízo.

Ontem, o advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende Fábio Raposo, outro acusado de participar da agressão a Santiago, deu uma nova versão para o que aconteceu no dia do protesto. Ao contrário do que tinha sido dito inicialmente pelo próprio Fábio, Jonas afirmou que seu cliente também ajudou a acender o rojão. Ele disse que os dois estão juntos nisso e teriam acendido o pavio em conjunto. Mas que o artefato não estava direcionado para o cinegrafista. Segundo o advogado, teria sido uma negligência, uma inconsequência, uma irresponsabilidade. Que os dois não imaginavam que o artefato tinha aquela força toda.

Caio estava sendo procurado desde a noite de segunda (10/02), quando a Justiça do Rio decretou sua prisão temporária. Ele foi encontrado e cercado em uma pousada chamada Gonçalves, perto da rodoviária de Feira de Santana, no centro-norte da Bahia. Ele não ofereceu resistência. Caio chegou ao aeroporto do Galeão às 8h40 desta quarta-feira, e foi levado para a Cidade da Polícia, no Jacarezinho, no subúrbio da cidade.

A prisão foi efetuada pelo delegado que investiga o caso, Maurício Luciano de Almeida e Silva, da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Caio chegou acompanhado por seu advogado, Jonas Tadeu, que também defende outro rapaz envolvido no caso, Fábio Raposo, que está preso no Rio.

O delegado Maurício Luciano chegou às 16 horas desta sexta-feira (14/02), à sede do Ministério Público do Rio para entregar à promotora Vera Regina de Almeida o inquérito que apurou a morte do cinegrafista. O delegado indiciou Fábio Raposo e Caio Silva de Souza, pelos crimes de explosão e homicídio doloso (com intenção de matar), qualificado por uso de artefato explosivo. A promotora tem prazo de cinco dias para analisar o inquérito e decidir se oferece denúncia à Justiça ou se devolve o inquérito à Polícia Civil requerendo novas diligências.

Se forem condenados, podem pegar até 35 anos de prisão.