Espionagem dos EUA ao Brasil

Espionagem dos EUA ao BrasilEm julho deste ano, o jornal O Globo denunciou um esquema de espionagem dos Estados Unidos ao Brasil. O ex-técnico da CIA, Edward Snowden, trabalhou como consultor na Agência Nacional de Segurança (NSA, em inglês) e revelou ao jornal inglês The Guardian programas de espionagem usados em pessoas residentes ou em trânsito no Brasil e em empresas nacionais. Uma das empresas de maior notoriedade entre as monitoradas foi a Petrobrás, o que leva estudiosos a acreditarem que os monitoramentos tinham caráter comercial, descartando a justificativa dada pelos Estados Unidos de que se tratava de precauções antiterroristas. Dois programas foram usados para coletar dados e informações, o Prism e o Fairview, este em parceira com uma empresa de telefonia dos EUA que não foi revelada.

O escândalo resultou no cancelamento da visita que a presidente Dilma Rousseff, também alvo da espionagem, faria em outubro a Washington. ”Os dois presidentes decidiram adiar a visita de Estado, pois os resultados dessa visita não podem ficar condicionados a um tema cuja solução satisfatória para o Brasil ainda não foi alcançada”, diz nota divulgada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República na terça-feira, 17. O presidente Barack Obama não deu explicações convincentes e, apesar de os americanos não demonstrarem interesse nas denúncias, pesquisam apontam queda na popularidade  de Obama, especialmente entre os jovens. Dilma revelou que vai abordar a questão da espionagem norte-americana no Brasil e da neutralidade da internet durante a abertura da Assembleia das Nações Unidas (ONU), na próxima semana, em Nova York.

Em reunião com o atual ministro de Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, a conselheira de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice, prometeu trabalhar em conjunto com a diplomacia brasileira e declarou em nota que a busca do Brasil por esclarecimentos é válida, mas algumas informações teriam sido deturpadas pela imprensa e ambos os países deveriam seguir juntos nas investigações.

Na quinta-feira, 19, o Brasil e a Argentina decidiram se unir contra as ameaças de espionagens norte-americanas. O chanceler argentino, Héctor Timerman, e o ministro das Relações Exteriores Luiz Figueiredo traçaram estratégias para proteger informações cibernéticas de ações dos EUA. Essas medidas de defesa conjunta visam manter a segurança de dados oficiais e privados dentro da América do Sul.

A presidente brasileira solicitou urgência na tramitação do Projeto do Marco Civil da Internet ao Congresso Nacional, projeto que estabelece direitos, garantias e deveres dos usuários e empresas cibernéticas. A Polícia Federal e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foram convocadas para apurar o caso.